Não, não vou escrever só sobre filmes e séries. Mas tenho gostado de refletir e escrever um pouco sobre os devaneis que surjem ao interpretar questões à luz dos "óculos de Cristo". Para quem não assistiu Quarteto Fantástico: Primeiros Passos e não quer saber nada do filme, fica o alerta de spoiler. Apesar que vou tratar do plot principal, que acredito que deva ter aparecido nos trailers (eu não vejo trailers, pois trailers dão spoilers).
Em 2025, a Marvel lançou um novo filme do Quarteto Fantástico. Neste, o enredo gira em torno de uma ameaça impossível de ser vencida: Galactus, o Devorador de Mundos, está vindo se alimentar da Terra. Ele é uma força imparável e indestrutível. Por minha falta de conhecimento dos quadrinhos, não compreendi completamente o que o alimenta, mas acredito que seja a "energia" dos mundos, e não a materia em si. No entanto, a grande questão que me levou à reflexão é a proposta que ele faz.
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| Pra ter uma ideia do tamanho do Galactus, esse pequeninho ali no meio é do tamanho de um humano. |
Galactus oferece poupar o planeta se Sue Storm (a.k.a. Mulher Invisível) e Reed Richards (a.k.a. Senhor Fantástico) entregarem seu filho recém-nascido em troca (na verdade, no momento da proposta ele ainda nem havia nascido, mas ele só queria o bebê). Segundo Galactus, o bebê Franklin possui um poder gigantesco, capaz de saciar sua fome (creio que ele poderia criar universos para alimentar Galactus, pois se alimentar do bebê não faria sentido, visto que a ideia é de que ele seria uma fonte inesgotável de alimento e ele também comenta que poderia ser seu sucessor).
Ou seja, pelo sacrifício de um, o planeta inteiro seria poupado. O Quarteto, no entanto, decide não entregar a criança. Quando essa informação se torna pública, a reação da população é de choque: "Vocês não estão dispostos a sacrificar uma criança para salvar bilhões?". No final das contas, como bons heróis, eles tentam uma terceira via: ou todos sobrevivem, ou todos morrem juntos. No fim [spoiler do final] eles conseguem mandar Galactus para longe, mas é apenas um adiamento; o problema ficou para a próxima geração lidar. [/spoiler do final]
É importante citar que, no filme, Galactus envia um arauto, o Surfista Prateado (ou a Surfista Prateada), para anunciar que o fim está próximo e que a humanidade deve aproveitar seus últimos dias. Basicamente, ela diz: "Galactus tá vindo, vocês não podem fazer nada sobre isso, aproveitem os dias que ainda lhe restam. Beijo, tchau, tudebom."
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| A prancha não faz parte do corpo. |
Todo esse plot — um arauto anunciando que está chegando o fim, um ser poderoso e invencível que vai destruir tudo e o dilema ético do sacrifício de um poder salvar a todos — ativou algumas comparações para reflexão sobre como ver esse roteiro à luz do evangelho.
Nós também temos um Ser Supremo, porém infinitamente mais poderoso que o Galactus da ficção. Na realidade, Ele é imensurável, de tal forma que até mesmo Galactus pareceria um grão de poeira perto dEle (ou algo microscópico, mas ainda estou limitando. Só pra ter noção do tamanho do Criador: "Quem mediu as águas na concha da mão, ou com o palmo definiu os limites dos céus? Quem jamais calculou o peso da terra, ou pesou os montes na balança e as colinas nos seus pratos?" - Is 40:12. O universo pode caber na ponta do dedo dEle, e ainda estaria limitando o seu tamanho, por isso da palavra "imensurável"). Em outras palavras, qualquer comparação com o tamanho (e poder) de Deus seria limitada.
Na vida real, temos Deus, que é o Criador de todas as coisas e que, um dia, renovará tudo — novos céus e nova terra. Assim como no filme a Terra foi avisada, nós também fomos advertidos de que este mundo terá um fim, devido à queda do homem no Éden. Deus não vai "devorar" o planeta, não é a mesma coisa, mas haverá juízo e virá a ira de Deus. Ou seja, um dia virá o fim!
Aqui é onde vemos a graça de Deus. Galactus é um ser que exige um sacrifício dos outros para aplacar sua fome. É um ser que se alimenta de mundos inteiros. Mas ele está disposto a poupar um planeta inteiro se os pais entregarem seu filho. Forçando uma comparação, a ira de Deus também virá sobre o mundo todo e diante da Sua ira, todos seremos destruídos. E de certa forma, Deus também exige sacrifício, mas tem uma grande diferença.
Deus faz o caminho inverso. Ele não exige que nós entreguemos nossos filhos; Ele mesmo providenciou o sacrifício perfeito. Ele entregou o Seu próprio Filho, Jesus Cristo, para morrer em nosso lugar e pagar o preço pelos nossos pecados. Enquanto Galactus pede o sacrifício de um inocente para poupar o mundo, Deus entrega o Seu Filho inocente para salvar aqueles que não merecem.
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| Um alto preço a se pagar. |
Nós, como o Quarteto Fantástico, dificilmente entregaríamos nosso filho em favor de muitos. E se estivéssemos do outro lado, talvez pensássemos que o filho de outro poderia ser sacrificado pelo bem comum. É o clássico dilema do bonde (Trolley Problem - se não conhece, pesquise, mas você certamente já viu). Assistindo o filme, isso ficou pipocando na minha mente, o dilema ético, o valor de uma vida, o peso de uma decisão... Mas, na vida real, não precisamos enfrentar esse dilema, porque Deus já fez tudo por nós. O sacrifício de Jesus é a solução que jamais conseguiríamos produzir por conta própria.
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| Ele se achava inevitável. |
No cinema, [spoiler do final] eles conseguiram atrasar o processo e mandar a ameaça para longe [/spoiler do final]. Mas na vida real, o fim é inevitável. O juízo de Deus virá e Ele julgará o mundo. Aliás, Deus não é mau por isso, pois Ele é o criador (diferente do Galactus ou até do Thanos), e como o homem se rebelou, toda a criação sofre por causa da queda ("Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto." - Rm 8:22). Ou seja, merecemos a ira de Deus, por isso a salvação é graça imerecidade, revelando o Seu amor e misericórdia.
Muitas vezes tentamos nos salvar sozinhos ou encontrar formas de evitar o inevitável, mas o que precisamos, de fato, é crer. Reconhecer que Deus nos amou ao ponto de prover a salvação, se arrepender da vida que levamos (pecaminosa e longe de Deus) e confessar que Ele agora é nosso Senhor, crendo que o Filho de Deus já fez o que era preciso ser feito e isso foi suficiente.
Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. (Rm 10:9)
Não somos heróis tentando adiar o apocalipse; somos pecadores que precisam reconhecer que o Salvador já garantiu o nosso futuro em uma criação perfeita.





