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Spoiler! Foto: Deise Laura Batistello |
Eis-me aqui, outra vez. Mas este não será o último post do ano (se tudo der certo, teremos mais um, de retrospectiva). Este é para falar de uma dádiva de Deus e como Ele cuida de nós, mesmo diante das dificuldades.
No ano passado, quando estávamos desejando aumentar a família, minha esposa foi diagnosticada com Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF). Acabei não mencionando isso no post do ano passado. Inclusive, também não comentei que agora sou faixa preta em Kickboxing/Full Contact. Quem sabe no próximo post eu fale mais sobre isso... ou futuramente.
Calma, não estou mudando de assunto, só causando um pouco de suspense. Afinal, você já deve estar se perguntando o que é SAF e porque eu não explico logo. E com a ansiedade tomando conta, talvez você já cogitou pesquisar no Google. Quiçá, até já pesquisou.
Pois bem, SAF é uma trambofilia adquirida. Ok, não ajudou em nada. Eu explico: SAF é uma doença autoimune que aumenta a coagulação do sangue e a chance de trombose. O organismo produz anticorpos que afetam proteínas importantes para a coagulação. Se ainda ficou confuso, vou tentar explicar de forma didática.
Normalmente, o corpo cria anticorpos, que são como "soldadinhos" que nos protegem de coisas ruins, como germes. Mas nessa síndrome, esses "soldadinhos" acabam confundindo partes do próprio corpo, chamadas de fosfolipídeos, e isso pode fazer o sangue ficar mais grosso. Quando o sangue fica mais grosso, é como se ele ficasse mais difícil de passar pelos “canos” do nosso corpo, que são os vasos sanguíneos. Isso pode fazer com que o sangue forme bolinhas, que a gente chama de coágulos, e que podem entupir esses canos em algumas partes do corpo. Capici?
Assim, a SAF pode ocasionar tromboses em veias ou artérias, AVCs, e... complicações na gestação. Na gestação, podem ocorrer abortos espontâneos, restrição de crescimento do bebê e pré-eclâmpsia (pressão alta na mãe).
Isso ocorre porque ela interfere na forma como o sangue flui e circula pelo corpo da mãe e do bebê. Durante a gestação, o sangue precisa passar com facilidade pela placenta para entregar nutrientes e oxigênio para o bebê. Na SAF, o corpo da mãe cria anticorpos que confundem partes do próprio corpo e fazem o sangue ficar mais propenso a formar coágulos, que podem entupir os pequenos vasos da placenta, reduzindo o fluxo de sangue para o bebê. Quando isso acontece, o bebê pode ter menos oxigênio e nutrientes do que o necessário para crescer bem e com saúde.
Em outras palavras, os riscos de uma gravidez com SAF são altos! Mas nem tudo está perdido, pois existe tratamento (caro, mas gratuito pelo SUS!). Se o problema é o sangue “grosso,” a solução é “afinar” o sangue através de injeções diárias, para garantir que o bebê receba adequadamente os nutrientes da mãe.
Após muitos exames e uma longa espera para confirmar se esse era realmente o nosso cenário, embarcamos na jornada de uma gestação dolorosa (para minha esposa, mas a gente sente junto). No início do ano descobrimos a gravidez e iniciamos o tratamento com as "picadas", que continuaria até 45 dias após o parto.
Algumas aplicações foram tranquilas, indolores. Outras, dolorosas! Foi um misto de sentimentos ao infligir dor naquela que é uma só carne comigo, mas por um bem maior - para que a vida em formação ali pudesse crescer com saúde. Mas Deus é bom e cuidou para que fôssemos presenteados com a dádiva da vida. Nosso bebê nasceu saudável e sem complicações.
Podemos dizer que vencemos a SAF! Ok, minha esposa venceu, mas quero me incluir nisso. Embora ela tenhha enfrentado na pele as aplicações e o tratamento, eu acompanhei de perto, porque eu fui o enfermeiro hehehe
Hoje vivemos o privilégio de sermos pais e isso está trazendo muitas reflexões e novos aprendizados. Mas isso é assunto para os próximos posts.
Quem diria que você aprenderia sobre coisas de saúde aqui, hein?